quarta-feira, 21 de abril de 2010

Crónicas da Serenata... (Viseu, Largo da Sé, 18.04.2010 – Semana Académica de Viseu)

Foto Joaquim Alexandre Rodrigues (via Facebook)


A Serenata dos dois Paulo’s Sousa’s

Um contratempo de última hora impediu a presença do Alcides nesta apresentação, sempre de responsabilidade. Houve que o substituir para não deixa o Rui a cantar sozinho em dia de aniversário.
A escolha recaiu num amigo de muitos anos, o Paulo Sousa, antigo estudante no Porto onde participou, cantando, em inúmeras serenatas. Com pouco tempo disponível para se preparar (e ferrugem de dois anos) o moço esmerou-se e acabou por se sair muito satisfatoriamente. Isto apesar de ter ganho uma nova alcunha: “o Três Quartos”. Então não é que precisamente na “Samaritana” o rapaz se esqueceu que cantar o segundo refrão??? Além desse tema que há anos não executávamos cantou a solo ainda “Feiticeira”, “Rosas Brancas” e a nossa “Alta Noite na Sé Velha” que, aliás, havia já gravado com um grupo do Porto, facto que em tempos aqui demos eco. Participou ainda, a finalizar, na nossa Balada de Despedida de 89 cantando as suas segundas partes.
Num dia de stress, com duas apresentações para alguns dos elementos e um ensaio final à hora do jogo do Benfica, o que não agradou a todos (afinal também jogava a Académica), e após lauto jantar, lá nos dirigimos ao Largo da Sé.
Ao contrário do ano anterior não estava uma temperatura desagradável e conseguimos que o nosso amigo Jorge Novo nos abrisse as portas da Igreja da Misericórdia para as preparações e afinações finais.
Estava bastante gente mas aquilo mais parecia a Feira de S. Mateus ou melhor, a da cerveja de Munique. Excesso de álcool, excessiva deficiência de disciplina e de respeito. É altura das comissões de praxe ou similares voltarem a explicar ao povo académico o sentido e significado de alguns actos constantes das semanas académicas. A praxe também é isso. Não houve obviamente silêncio e atenção se exceptuarmos algumas centenas de pessoas que estavam mais próximas e foram lá para efectivamente verem e ouvirem a serenata e não para se encontrarem antes de rumar ao concerto dos UHF.
Da nossa parte apenas podemos afirmar ter feito o nosso melhor e com um desempenho que nos agradou muito, sem prejuízo de alguma deficiência na percepção do retorno de som já que o PA se encontrava distante. Segundo opiniões credíveis que colhemos no final o som para o público teve muito boa qualidade.
Nota de relevo para o facto de havermos estreado no grupo as “Variações em Mi menor” de Artur Paredes que não fugiu do restante tom da apresentação.
Finda a serenata após a Balada de 89 que até mereceu um coro voluntário que se acercou dos micros, registe-se a falha do tradicional FRA já que a etilizada moça que parecia ir assumir a tarefa limitou-se a cacarejar roucamente “Piaget, Piaget”. Enfim…
Embora desagradando-nos tal facto, confortou-nos (fraco conforto), o conhecimento que as coisas já haviam corrido menos bem na Missa da Benção das Pastas que tinha tido lugar durante a tarde em que o comportamento de certos "estudantes" parece também ter sido execrável.
Urgirá, quiçá, repensar todas estas coisas. Depois de um copo de balanço feito com todos os elementos participantes, a satisfação pela obra empreendida e a vontade de repetir a parceria com o Paulo “Viseu” “Três Quartos” Sousa noutra ocasião em que tal se proprocione.


2 comentários:

Sísifo disse...

Há tempos, no Youtube, fiz um comentário onde referi que o sentir académico tinha perdido fulgor, não obstante a «Toada» continuar a cantar que «ainda há capas ao vento».
Com alguma razão, choveram comentários negativos à minha opinião, mas mantenho-a. Além da «copofonia», o fado pouco ou nada diz à maioria da malta estudantil; tudo o que não seja barulho não os atrai.

Mesmo cá em casa, por mais que passe o vosso CD quando vamos de viagem, o moço mais velho quase colapsa com o meu gosto musical. Vale o mais novo, que insiste em ouvi-lo, desde o 1.º ao 16.º tema.
Já agora, um abraço ao Sansão Coelho, que me «ensinou», desde o início dos oitentas, a gostar da canção de Coimbra, através da então RDP Coimbra.

nini disse...

Saudações.
Tenho a dizer que gostei muito da actuação. Como voçes criticam o barulho e a falta de respeito, eu também. Penso que seja pelo facto de a maioria dos estudantes de Viseu não ligar ao fado, bem como à tradição como os de Coimbra, secalhar devido á educação de praxe, ou não. Todos os anos se repete o mesmo, o silêncio nunca é feito no adro da sé! Felizmente para mim, as escadarias da sé estão sempre vazias, de lá que ouço o fado, tenho uma visão de tudo, e lembro com saudade todos os momentos desta vida académica.
Ainda tentei atrair pessoas para pararem e escutarem...mas foi dificil.

Gostei muito de um fado (aquele que me fez chorar), vou ver se o encontro aqui na lista.

Saudações académicas