Mostrar mensagens com a etiqueta crónica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta crónica. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 15 de julho de 2008

Crónicas Termais... (Luso, 12.07.2008 – Casino)

E pronto!
Chegaram as férias – não está previsto qualquer espectáculo nos próximos dias – e também, provavelmente, o fim de outro ciclo.
Entenda-se esse fim de ciclo como términos do período do CD de 2007 enquanto novidade e base dos espectáculos entretanto efectuados. A partir daqui outros galos cantarão. Ou melhor, os “galos” serão os mesmos, a cantiga é que será diferente.
Com a sala principal do Casino do Luso em obras de recuperação dum espaço que é magnífico, tocámos numa das salas adjacentes tornando a apresentação ainda mais intimista até porque foram colocadas mesas na sala o que quase dava um ar de tertúlia – tom em que decorreu aquele serão. É só lembrar a narrativa da “estória” do “Alcides & Eusébio”. Apenas ser de repensar, nos espectáculos de fado, a colocação das pequenas lamparinas que, dando ambiente, atrapalham a garganta de quem tem de cantar e aquecem demasiado o ambiente, até porque a sala estava repleta. A sala e os átrios que a ela acediam. E com várias pessoas que connosco haviam já estado noutros anos passados.
Sentiu-se, entre nós, de alguma forma, a ferrugem da recuperação de alguns fados que há muitos meses não faziam parte do repertório e preencheram a primeira metade do espectáculo.
Já quanto à segunda metade, composta pelos originais, tudo correu pelo melhor e com óptima adesão dos ouvintes, incluindo a entrega duma rosa ao Alcides e uma mini sessão de autógrafos.
Foi também uma noite muito boa porque estivemos bastante tempo juntos quer antes quer depois da apresentação.
Tratámos de muitos assuntos incluindo as ideias para o próximo projecto a apresentar, sem prejuízo de alguns de nós poderem agora entrar em período sabático. Vamos ver o que nos reserva o descanso de Verão…

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Crónicas da Serenata... (Leiria, Sé, 13.04.2008 – Semana Académica de Leiria)



Estava frio. Muito frio. Felizmente as nuvens ameaçadoras do fim da tarde não trouxeram chuva, apenas o cheiro a humidade que se entranhava para dentro das capas.
As pessoas começaram a chegar cedo, mesmo antes do teste do som, o que torna este algo desconfortável.
O Largo da Sé mantinha um inexplicável estaleiro, mero repositório de materiais de construção, que apenas serviu de resguardo à mesa de mistura da equipa de som que este ano se comportou a um nível superior ao de outros anos. Vantagem apenas a da lona que cobria o edifício fronteiro à Catedral e que evitou, provavelmente, o reflexo de som com que nos confrontávamos todos os anos.
Hora de começar com a Praça muito cheia, notando-se não só os estudantes de Leiria (e muitos de fora...) mas também muito público anónimo futrica que deixou o conforto do lar para ir ouvir a serenata.
Apesar de tudo, o ruído de fundo foi menor que em outras ocasiões, apesar das serenatas monumentais serem cada vez mais o ponto de encontro para depois se ir festejar para outro lado.
O programa foi orientado para percorrer inicialmente alguns temas tradicionais, e, numa segunda metade, apontado exclusivamente a temas originais inclusos no CD cuja promoção de lançamento está quase a acabar.
Desta vez não estava o João Carlos, mas tudo correu normalmente até meio, altura em que o frio tomou conta de todos, incluindo as vozes dos cantores. A partir daí foi tudo bastante mais penoso, o que se notava também pelas pessoas que iam abandonando o recinto nitidamente enregeladas.
Para os resistentes tudo acabou com a Balada do 5º Ano Jurídico, que sabíamos bastante aguardada, acompanhada e choramingada por alguns rostos já saudosos dos anos que estão a terminar.
Como última nota, a impecável organização, traduzida exclusivamente em simpáticos rostos femininos responsáveis pelo sucesso da primeira noite duma longa semana em Leiria. Também nisto elas estão a tomar as rédeas... E sem que se note qualquer tipo de prejuízo.

Até para o ano, Leiria!

quarta-feira, 5 de março de 2008

Crónicas de cima do palco... (Porto, Forum da Maia, 29.02.2008)


O dia começou acidentado com a notícia da morte de um familiar de um dos elementos do grupo, o que levou a que acabássemos por chegar à Maia já a “cortar” a hora da recepção oficial nos Paços Municipais.
Animados também porque éramos sete, desta vez: a 2ª geração começou a aparecer. O António João, filho do Vicente, acompanhou-nos desta vez do princípio ao fim desta saída. Além disso, outra curiosidade: nesse dia faziam anos o João Carlos Oliveira e o Jorge Mira Marques, ambos violas, do mesmo grupo, e aniversariantes a 29 de Fevereiro.
Ali já nos aguardavam o Magister da TDUP acompanhado por alguns dos seus cavalheiros bem como o Ex.mo Sr. Presidente da edilidade, Eng. António Bragança Fernandes, o Sr. Vereador do Pelouro da Cultura, Hernâni Avelino da Costa Ribeiro, bem como alguns assessores.
Fomos recebidos como convidados de honra num convívio que se estendeu por largos minutos em que ficou bem patente a dinâmica vivida naquele concelho maiato, com simpáticas palavras que foram dirigidas aos circunstantes pelo Ex.mo Sr. Presidente, tendo ainda usado da palavra o Pedro Alves pela TDUP e o Alcides Sá Esteves pela Toada Coimbrã. Houve troca de lembranças, tendo o Município obsequiado cada um de nós com um prato de porcelana com as armas do Concelho bem como um magnífico livro com fac-similes de primeiras páginas do jornal “O Comércio do Porto” dos últimos 150 anos.
Após um agradável café, fomos ainda convidados a subir ao topo da nova torre contígua à C.M.M., onde pudemos apreciar a majestosa vista abarcando a quase totalidade do concelho, desde o mar até Águas Santas.
Seguiu-se o conhecimento do local do espectáculo bem como o teste de som. Já não fomos para o jantar propriamente adiantados sobre o horário, mas quer o atraso no serviço quer a agradibilidade do convívio fraternal entre a TDUP e a Toada levou a que tivéssemos regressado ao Fórum já com sensível atraso.
O auditório não estava cheio – é o problema da motivação nas grandes metrópoles numa sexta à noite, em que o frio convidava mais a ficar em casa - mas quem estava, estava por gosto e receptivo a participar. Mas nunca será de deixar de louvar os esforços da organização TDUP e Pelouro da Juventude da C.M.M., para que tudo corresse pelo melhor.
E se mais não fosse, sempre teria valido a pena pelos muitos caixotes de roupa que se reuniram, destinados aos menos favorecidos.
Iniciado o espectáculo, não sem que antes tivéssemos tido a oportunidade de abraçar uma série de amigos presentes, a Tuna fez uma apresentação sólida, como é seu timbre mostrando um pouco do que de bom se vai fazendo a esse nível neste momento em Portugal e, especificamente, no Porto. E, tirando algumas questões de natureza de amplificação sonora, não se notou a falta de alguns dos seus elementos. Foi limpinho.
Pela nossa parte, o espectáculo correu sobre carris, seguindo o modelo e programa que foi adoptado nesta série de espectáculos. Neste, o Rui esteve particularmente bem na “Nostalgia” e todos os outros dentro do desempenho esperado. Pelo meio, algumas “estórias” destes quase 21 anos de existência.
Quase sem rede (para além da confiança que neles depositava) pois nem uma vez ensaiámos conjuntamente com a Tuna, os coros das Baladas finais saíram perfeitos. Até parece que já fazíamos aquilo juntos há muitos anos. Notou-se também, manifestamente, na Balada de 89, o conhecimento que grande parte do público tinha do tema. Muita gente a cantar, não esquecendo a presença de muitos estudantes e tunos, homens e mulheres que ajudaram a mais um momento alto. Na memória ficou ainda a entrega da minha guitarra ao Manuel Soares a meio dessa balada e que ele concluiu galhardamente, com seria de esperar, entrosando-se bem nos andamentos do grupo. E após um FRA meio à moda de Coimbra, meio à moda do Porto, lá se concluiu mais uma das nossas etapas.
Os primeiros balanços foram feitos logo depois no interessantíssimo bar “Tertúlia Castelense”, com a nota da satisfação geral, com um especial abraço de agradecimento ao "Joker" pelo verdadeiro milagre que conseguiu fazer.
Pessoalmente, foi com particular satisfação que pude rever muitos amigos em que aqui destaco o Eduardo Coelho e o João Coelho, que, apesar do apelido, nem se devem conhecer um ao outro, a Denise, o Tavares, O Manel, o Armando e tantos outros.
Agora, deste ciclo de espectáculos, já só falta o Casino da Figueira da Foz, provavelmente ainda neste mês de Março.O que virá a seguir, só depois saberemos...

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Crónicas de cima do palco... (C. Branco, Teatro Avenida, 26.01.2008)

Reconheça-se que não é fácil lotar um teatro com setecentos lugares, sim, com setecentas pessoas a ouvir a Canção de Coimbra numa noite fria de Janeiro. E em Castelo Branco, por onde havíamos passado uma única vez nestes vinte anos. E para um programa previamente anunciado, do qual não constavam nenhum dos grandes chavões (“Samaritanas”, “Santas Cruzes” e quejandos) que tradicionalmente são tão do agrado de qualquer público. E ainda por cima com o Benfica a jogar na televisão em canal aberto, coincidindo nos horários.
Apesar de tudo isso, a sala encheu-se, e de que maneira. A ponto de algumas dezenas de pessoas terem ainda assim ficado à porta sem conseguir um desejado ingresso. Verdadeiramente espantoso.
Para tudo isto contribuiu, claro, a óptima promoção efectuada pela Câmara Municipal de Castelo Branco – a melhor, sem dúvida, desde que começámos este ciclo de espectáculos – que incluía tarjas e “muppies” espalhados um pouco por toda a cidade.
Contribuiu também, e de que maneira, o Conservatório Regional de Castelo Branco e as suas Orquestras, incluindo os seus dirigentes, Directora e Maestro, e jovens músicos que tão brilhantemente fizeram emparelhar grandes nomes da música clássica com as nossas tão modestas composições. E, sobretudo, com a sua simpatia e camaradagem.
Não esquecemos aqui também o Miguel Rito e o Nuno Roberto, os nossos técnicos, que tudo fizeram para que as coisas corressem sobre rodas. E correram mesmo...
O programa não diferiu do que temos vindo a fazer, embora se note que está cada vez mais mecanizado e natural. Começam a parecer tão longínquos os tempos em que os programas eram feitos à base de “tradicionais”...
As pessoas foram para ouvir Fado de Coimbra e por isso estiveram sempre muito receptivas ao que de novo iam ouvindo, mesmo que tal estivesse a acontecer pela primeira vez.
A novidade desta apresentação teve a ver com algo ainda por nós não antes utilizado: a multimédia. Todo o espectáculo foi sincronizado com fotografias alusivas ao grupo, a Coimbra, às serenatas, aos temas que se iam cantando e aos poemas cantados. Teve a sonoridade marinha da entrada de “Ficarei até morrer” e a preocupação na definição de um espectro sonoro semelhante ao que ficou registado no disco.
Coube, desta vez, ao João Carlos a apresentação inicial e de fundo sobre o que se ia passar durante aquela noite. E, apesar dos nervos bem escondidos, e de lhe ser tão pouco habitual a trivial arenga, o facto é que se saiu brilhantemente dessa tarefa. Até parecia nunca haver feito outra coisa na vida. Aliás, só parece ter-lhe feito bem uma vez na vida ter tido a responsabilidade da organização duma apresentação do grupo. É possível que tenha aprendido bastante com isso...
Os albicastrenses foram igualmente muito afectuosos nas conversas havidas pós-espectáculo, com incentivos vários e pedidos de regresso em breve.
Ainda por cima, coincidente com o fim do espectáculo a largada de fogo de artificio a partir das torres do castelo...
Espectáculos destes, muitos...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Crónicas de cima do palco... (Tomar, 19.01.2008)

Este concerto era uma absoluta incógnita para nós.
Ao contrário dos anteriormente efectuados, a ligação histórica da Toada Coimbrã a Tomar era nula, pelo menos se a pensarmos em termos de anteriores presenças físicas.
Felizmente, e que feliz é quem tem amigos destes, a Tuna Templária de Tomar e a Associação Canto Firme encarregaram-se de organizar um belíssimo espectáculo com uma plateia a condizer que quase encheu o Auditório Fernando Lopes-Graça, numa noite em que o frio ficou à porta.
Na pessoa do Pedro Moreira, responsável máximo da TTT, só podemos deixar os maiores encómios. Não só ao próprio, que foi inexcedível (um “Senhor...”), mas a todos os restantes templários que se desdobraram connosco nas maiores atenções, até ao desgraçado caloiro que nem foi a palco por ter ficado na bilheteira e na banca dos CD’s. O convívio antes e depois do concerto foi excelente a ponto dos últimos elementos da Toada terem deixado Tomar já depois das 3 horas da manhã.
Pelo que nos apercebemos foi grande a adesão de antigos estudantes da Universidade de Coimbra. Muitos deles eram-nos até coevos dos tempos de curso, alguns dos quais não víamos há muitos anos. E que bom foi reencontrar algumas caras, tantos anos depois. E não podia deixar de referir aqui, em concreto, a Aurélia Madeira, agora jornalista do “Notícias de Ourém”, que tão bem conhecíamos dos corredores da AAC e que quase nos conseguiu fazer prometer um espectáculo próximo naquela bela cidade acastelada.
Muito nos aprouve também a presença da estrela Pop que é o Moisés, líder dos “Quinta do Bill” discretamente encaixado na assistência.
Quanto ao concerto em si, depois da eficaz apresentação que a Templária sempre produz, lançamo-nos a uma audiência que foi muito receptiva e aderiu com fortes aplausos do princípio ao fim.
Corremos o programa que tem sido utilizado nestas ocasiões, com o cuidado que às gargantas exige o tempo frio e rigoroso, sem percalços de maior. A apresentação foi bem informal como tanto gostamos de fazer explicando o que íamos mostrando, o que mais uma vez pareceu bem justificado e útil.
Uma palavra grata para os esforços do Zé Santos em dominar os graves das violas, o que não foi tarefa fácil, atentas as características da sala e do material técnico colocado ao nosso dispor. Ainda assim parece que o som de sala foi muito bom, apesar de algum desconforto da nossa parte pela dispersão do som, uma vez não existirem monitores disponíveis.
O concerto foi finalizado com a companhia em palco da TTT que muito bem nos acompanhou nos coros das duas baladas e no FRA final.
Depois foram muitas as lembranças trocadas, as experiências partilhadas, os contactos retomados e um copo para a viagem no bar da frente que para todos deve ter sido inesperadamente longo. E ainda ficou tanta coisa por contar...
Uma última palavra para o José Rosado, que apesar de não ter podido estar presente, por todo o interesse que mostrou pela realização deste concerto e pelo apoio e divulgação que lhe deu, nunca poderia aqui ser esquecido.
Agora, olhos postos em Castelo Branco, já no próximo Sábado, com as expectativas de novo em alta...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Crónicas de cima do palco... (Coimbra, Café de Santa Cruz, 06.12.2007)


A expectativa era grande. Tão grande que cheguei cedo a Coimbra, lá pelas seis da tarde. No Café de Santa Cruz, para além do normal rebuliço daquele fim de tarde, apenas o "Grande" Afonso se atarefava, com os seus ajudantes, na montagem do aparato de som que tão eficaz se mostrou, noite a dentro.
Como ainda era cedo fui esticar as pernas para a Ferreira Borges até à Portagem e voltei. Primeira nota de espanto: não ouvi uma única palavra em português em todo o percurso, apenas castelhano. Bandos, famílias, jovens e menos jovens. Pareciam estar por todo o lado e ainda me perguntei se estaria na cidade certa.
De regresso ao Café, já lá encontrei o Jorge, e os outros foram chegando pouco a pouco. Até alguns da Estudantina por lá apareceram ainda antes de jantar...
Feito o som, pouco depois das oito, fomos jantar, deixando um Santa Cruz já praticamente cheio. Com um pouco de sorte, no Cantinho do Reis no Terreiro da Erva, lá nos arranjaram um cantinho, uma sopa da pedra e uns bifes que nem tivemos tempo de terminar, pois já estava na hora.
De volta ao Santa Cruz, já não se rompia... Havia gente por todo o lado. Lugar sentado, nem pensar. Pessoas distribuídas à volta da sala encostadas às paredes. Corredores intransitáveis, mesmo para os empregados da casa.

A Estudantina apresentou-se bem. Aliás, bem melhor do que se ouvia dizer nos últimos tempos. Dos que estiveram, o mais velho, tinha vinte e dois anos. Sim, vinte e dois anos. Pode ser que assim tudo volte ao bom caminho. Chamaram o Vicente e o João Carlos para tocar a “Boémia”, tendo o primeiro, depois, solado a “Dedicação”, já com todos os estudantinos presentes em palco. Muito bom. Certinho e afinadinho.
Pequeno intervalo, e, sem tempo para nervos, lá vamos nós.
Coimbra sempre seria “O” espectáculo. O mais difícil e exigente. Porém, tudo correu pelo melhor e acabou por se passar rapidamente sem que pesasse nos dedos ou nas gargantas. Reconhecemos que estavam lá sobretudo os amigos, os colegas, a família, em suma, os que gostavam de nós. Da famosa “quinta coluna”, dos críticos, nem um ar. Se estavam, não demos por eles. Se disseram mal (costume da terra), ninguém os ouviu. Aliás, pesa-nos por esse facto um silêncio gostoso. Em Coimbra, a ausência da crítica, o silêncio, sempre foi a melhor crítica que se pode ter...
Ela veio no dia seguinte, sim, pela mão do Eduardo, mas essa é especial e toca as emoções, as palavras soltas no ar, não todo o resto que envolve a edição de um disco da canção de Coimbra.
O espectáculo acabou com a Balada de 89, como previsto. E foi delicioso aquele coro das centenas de pessoas presentes que a conheciam de cor e salteado.
No fim, o gozo do abraço aos amigos, alguns dos quais não víamos à tanto tempo. E tantos nomes podia aqui deixar, não o fazendo por ir seguramente esquecer algum. Mas tantos colegas de Faculdade, de outros grupos do nosso tempo, de simples anónimos, figuras gradas e entidades.
Foi bom, mesmo muito bom. Tanto, que se augurou a possibilidade de repetir o espectáculo no fim do conjunto de apresentações de lançamento. A ver vamos, mas é bem possível que sim...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Crónicas de cima do palco... (Viseu, Teatro Viriato, 24.11.2007)

Foto José Alfredo


Foi um daqueles dias em que não parecia termos já feito centenas de espectáculos juntos. Notava-se, desde o meio da tarde, um nervoso miudinho e um forte sentido de responsabilidade. Afinal, Viseu tem forte história junto do grupo. Já tocámos para muitas entidades e em muitas circunstâncias por aqui ao longo dos últimos vinte anos. Temos muitos amigos, família e colegas, por cá. Ahhh, e, claro, a Infantuna que tanto nos diz, em especial a mim e ao Vicente.
Eles foram impecáveis. Cumpriram horários, tiveram o comportamento do costume – inatacável. Ainda por cima, à última hora, “obrigaram-me” a vir de fora da cortina directamente para o meio deles para cantar uma das músicas do meu tempo. Depois despacharam mais meia dúzia de temas de forma limpinha, onde meteram mais algumas autorias minhas e do Vicente. Entre elas, Piazzola só com vozes e piano, terminando com a versão coreografada do “Indo eu...”


Veio o intervalo e os nervos a aumentar para todos nós os seis. Tanto que até caímos na velha ratoeira de afinar nos camarins em vez de no palco, com uma diferença de temperatura de talvez mais de seis ou sete graus. O que, durante o concerto, causou os problemas do costume e tínhamos a obrigação de prever.
Depois, logo no início, apesar da sala cheia, a indecisão do público quanto ao poder ou não aplaudir cada peça. Felizmente, o Alcides teve a presença de espírito suficiente para, com elegância, levar tudo ao devido lugar.
Mas era uma daquelas ocasiões em que tudo parecia fazer comichão. Até a cadeira me parecia mais alta dez centímetros do que deveria. A sensação era de algum desconforto.
Depois, no entanto, as reacções passaram a ser mais espontâneas e tudo correu com normalidade, tirando a parte algo lamechas que foi a explicação do significado do “Renascer”. Valeu pelo reforço da afirmação da amizade que nos une e pela salva de palmas que, a final, foi tributada ao Rui pela soberba interpretação.
As guitarradas correram bem e sem grandes “pregos”. Melhor que isso, depois de ver a gravação, até descansei: foi tudo melhor do que o que pareceu lá em cima.
A parte final foi magnífica. Os últimos fados correram muito bem. A intervenção do Dr. Fernando Ruas foi sóbria mas calorosa, apropriada ao momento. A Balada de 89, com a ajuda da Infantuna e os arranjos do Dionísio Vila Maior assumiu uma perspectiva quase sinfónica, tendo funcionado muito bem. O espectáculo não poderia ter acabado de melhor forma.
No final, o convívio com quem tinha estado transmitiu a sensação do agrado geral, com muita emoção à mistura, algumas fotografias e descompressão geral.
Em suma: valeu a pena.
Só que depois os nervos recomeçaram... Coimbra está já aí à porta...